O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Muito obrigado, Srª Presidenta. Srªs e Srs. Senadores, senhores telespectadores da TV Senado, senhores ouvintes da Rádio Senado, hoje a Folha de S. Paulo traz na capa uma matéria que nos chama atenção e que preocupa o Brasil. 
 
‘Arma ilegal entra pela fronteira até por motoboy’. Repórter da Folha compra revólver em loja no Paraguai e recebe a entrega em frente ao hotel no Brasil. 
Na fronteira considerada a mais vigiada do Brasil, a reportagem da Folha comprou ilegalmente um revólver em Ciudad del Este, Paraguai, e recebeu a mercadoria por motoboy em Foz do Iguaçu, no Paraná. 
O calibre 38 foi adquirido por R$700 nos fundos de uma loja de armas da cidade. Pela lei do país, a venda é restrita a paraguaios e a estrangeiros residentes.
A reportagem pagou mais R$110,00 por uma caixa de munição com 50 balas e [mais] R$130,00 pela entrega no Brasil.
Ainda na loja, o entregador escondeu a carga sob o assento da moto. Outro motoqueiro atravessou a ponte da Amizade na frente, para ver se havia fiscalização. 
A reportagem entregou a arma e a munição na sede da Polícia Federal em Foz do Iguaçu.
 
Srª Presidente, Srs. Senadores, meu Deus, isso aqui que a Folha de S.Paulo traz na capa, com mais detalhes no interior da sua edição de hoje, é um chamamento a esta Casa, que já deliberou cinquenta Senadores, todos os Líderes – Senador Humberto Costa, Senador Romero Jucá, Senador Sarney, Senador Renan, Senador Mozarildo – e a oposição também. A oposição somou, ombreou-se conosco, inclusive o Senador Alvaro Dias, e todos assinaram. Por quê? Porque é imprescindível que o Brasil retome a sua soberania, e a soberania nacional depende de guardarmos nossas fronteiras.
Precisamos instalar essa CPI. Devemos ler esse requerimento ainda hoje e votá-lo, e aí cada líder deve nomear os seus membros. Os membros se reúnem e votam para escolher o Presidente e o Relator, e começamos a trabalhar na semana que vem. 
Senador Mozarildo, vamos às fronteiras; vamos conversar com as autoridades, com a Polícia Federal, com o Exército, com a Marinha, com a Aeronáutica; vamos atravessar as fronteiras; vamos conversar com os nossos colegas do Peru, da Colômbia, da Bolívia; vamos falar com os nossos colegas da Venezuela; vamos falar com os nossos colegas do Paraguai. Vamos tratar politicamente esse tema que nos aflige e que é um escárnio à soberania brasileira, quando um repórter da Folha de S.Paulo compra e recebe, numa entrega por um motoboy, um calibre 38 com cinquenta cartuchos. Meu Deus do céu!
Essas armas acabam matando crianças inocentes nas escolas, derramando sangue e estraçalhando o coração dos brasileiros. 
Ouço V. Exª com muito prazer. 
O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Senador Crivella, V. Exª foi muito iluminado quando propôs a criação dessa CPI das fronteiras ­ isso, em decorrência do que estava acontecendo no Rio de Janeiro. Essa reportagem de hoje mostra claramente a situação. Imagine V. Exª, o repórter fez o que fez para ter uma constatação, mas quantas pessoas passam dessa forma? Milhares, milhares e milhares. A Polícia Federal sequer tem condições de fazer uma fiscalização adequada por falta de pessoal, por falta de equipamento. Então, quero dizer a V. Exª que estou a seu lado e que me disponho a ser relator ou mesmo um simples membro da comissão, mas nós temos de fazer isso. Será uma grande ajuda para o Governo chegarmos a um diagnóstico feito pelo Senado Federal. 
O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ) – Quero aqui dizer ao Sr. Ministro da Justiça e à nossa Presidenta Dilma que não há razões para se preocuparem. Essa não é uma CPI contra o Governo, essa é uma CPI pelo Brasil, pelos brasileiros, pelas crianças que estão na escola, pelos nossos jovens que estão sendo seduzidos pelas drogas. Essa é uma CPI para retomarmos a soberania nacional, que custou tanto aos nossos antepassados, que nos legaram um país de dimensão continental. 
Muito obrigado, Srª Presidente.